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Título

Ano
2017

Mês
Janeiro/Fevereiro

Ficha Técnica
Sumário

 Entrevista a Manuel Patuleia - Presidente da APOTEC

 Comunicado da Direcção sobre a Formação Profissional

 Almoço Comemorativo dos 40 anos da APOTEC - 25 de Março de 2017: Inscrições a decorrer

Editorial
Manuel Benavente Rodrigues
Director Jornal de Contabilidade
Tempos de mudança?


Todo o mundo é composto de mudança, como dizia Luís de Camões e até o próprio modo de mudar, muda, como ele dizia também.

A história das profissões não foge à regra também e a luta contra o tempo é a reserva do nosso espaço social de mudança.

Ser médico, carpinteiro, professor, escriturário, engenheiro, configura, cada um por si, coisas diferentes, mudanças, em diferentes espaços e em diferentes tempos e em territórios profissionais semelhantes.

E até os vocábulos fluem quantas vezes desfasados do que efectivamente fazemos.

Recuemos quinhentos anos se formos capazes – se mudar não é fácil, mais difícil é entender os outros no seu próprio espaço-tempo – e veremos como as mudanças são árduas, difíceis e extremamente imprevisíveis.

Árduas, porque necessitavam de um excelente suporte físico e psíquico, para serem primeiro assimiladas e depois assumidas; difíceis, porque muitas vezes condicionavam as próprias condições de existência; imprevisíveis, porque os homens estavam muito mais entregues às ásperas contingências da condição humana e do mundo em redor.

As rotinas dos seres humanos mudavam de forma abrupta e profunda, com a inconstância do quotidiano, natural, humano e social. Não havia parametrizações, fosse para emprego, saúde, pouca justiça existia, menos educação ainda, e até o livre-arbítrio era posto em causa com o luterano servo-arbítrio.

Pois nós, hoje, vivemos na praia do mundo em mudança, e preocupamo-nos e com razão, sobre os efeitos das súbitas mudanças, em que vivemos. Mas como vemos não é uma coisa nova, bem pelo contrário e vai continuar a haver mudanças, disso não nos podemos livrar. E as profissões são um mero segmento em que tudo flui para o mesmo mar.

E afinal quem quer mudar? Para lá das situações a preto e branco em que mudar ou não mudar, custa os olhos da cara, decerto não queremos mudar se estivermos instalados nas nossas pequeninas bem-aventuranças; e decerto queremos mudar se nos sentirmos ameaçados nas nossas imensas mordomias. A questão é que a rotina, o semelhante, o igual, dá-nos uma sensação de segurança, que ilude se necessário for, o nosso próprio bem-estar.

E os seres humanos sempre se agruparam, para ganharem capacidade gregária para melhor resistir às contingências da mudança – que melhor resistência há, à mudança, do que a própria solidariedade? – Na sociedade medieval, assim aconteceu com as guildas e os mesteirais. Regulação, previsibilidade precisava-se para se resistir às consequências da mudança.

O absolutismo trouxe a sociedade de ordens fortemente hierarquizada, imóvel e fotográfica. Não havia osmose, nem permeabilidade na sociedade de ordens. Tudo tem o seu lugar e nele está centrado. E veio depois a sociedade de classes, e lá mudou a forma como se muda, como diria o nosso Luís de Camões.

Revoltas, guerras, democracias, revoluções, ditaduras, outra vez democracias, outra vez ditaduras, mais democracias, etc, e tal, nada que não se tenha visto anteriormente, só que estas mudanças da História Contemporânea tornaram a morte pornográfica, casando as recorrentes ambições com a violência mais gratuita, de que a Batalha de Estalinegrado é infelizmente apenas um trágico exemplo. 

Ora antes de regressarmos às profissões, sublinhemos aqui, a forma como se mudou então, pois isto, já nada tinha a ver com aquela história, daquele jovem oficial, que mal chegado a Waterloo, foi atingido numa perna e recuado para um hospital de campanha, e só três meses depois, soube, que estivera em… Waterloo. As histórias de guerra jamais voltarão a ser embrulhadas num vistoso e bem-disposto alibi, para provar a redundância do que é a construção da História, porque logo o hediondo das duas Guerras Mundiais, nos põe em sentido.

Mudar é o que nos resta, no fim de contas, seja nas profissões, ou no que seja. Voltemos pois às profissões, meros aprendizes de feiticeiro que somos aqui, como em tudo o resto. E entre as mudanças vieram as Ordens profissionais, para as profissões mais prestigiadas, ou seja o arquétipo saudosista da velha sociedade de ordens. Tuteladas e bem fechadas.

Só que os médicos já não são físicos nem se expressam em latim como na comédia de Molière, nem tão pouco os barbeiros são cirurgiões, nem arrancam dentes; quanto aos advogados agora, são também, quantas vezes, solicitadores. A distância entre o vocábulo que define a profissão e o exercício da própria profissão vai engrossar os desfasamentos formais e materiais que as Ordens para sobreviverem como Ordens profissionais em contextos difíceis como os actuais, terão de ser capazes de empreender, enfrentando a mudança. 

Entretanto os contabilistas certificados – ainda precisam do adjectivo para a respectiva qualificação – estão um pouco mais atrasados, não lhes chegando o desfasamento vocabular, pois para além de serem muito mais fiscalistas, menos contabilistas e muito pouco guarda-livros, continuam em alguma dependência do Estado. Num longo caminho a percorrer, teremos de ser capazes de fazer as mudanças com ética, com técnica e com bom senso, para que todos nós, contabilistas, sejamos melhores, contribuindo assim, para Portugal, ser melhor também. 

Mudar é preciso.

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