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Jornal Online

Ano 2021
Mês Janeiro/Março
Sumário
 O PRR – Transição Digital

 Amostragem em Auditoria: Definições e Conceitos

 Tributación de servicios digitales versus asistencia técnica: un caso internacional

 A relevância da reforma europeia de auditoria sob a perspetiva dos auditores externos

 Director: José Manuel Bruno Lagos

 Coordenação: Isabel Maria Cipriano

 Colaboração: Paulo Nogueira Filho

 Periódico Técnico, fundado por Martim Noel Monteiro

 Propriedade e Edição: Associação Portuguesa de Técnicos de Contabilidade – APOTEC (Instituição de Utilidade Pública)

 NIF: 500 910 847

 Periocidade: Bimestral

 Redacção e Administração: Rua Manuel da Fonseca, Loja 4 A - Park Orange – 1600-308 LISBOA

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Editorial
O PRR – Transição Digital
Bruno Lagos
Director Jornal de Contabilidade

A transformação digital, iniciada há décadas e ainda em curso, tem alterado a dinâmica interna e externa das empresas. Contudo, não basta investir em qualquer solução e esperar que as coisas aconteçam. É preciso saber como fazer isso de uma forma estratégica, com impacto no seu mindset organizacional. O conceito de mindset vem da junção das palavras inglesas mind e set. Em tradução livre, respetivamente, mente e configuração, ou seja, o estado de espírito da organização.

A constante inovação tecnológica, que altera rapidamente as rotinas de trabalho, digitaliza processos e introduz novos conceitos no ambiente laboral, pode causar barreiras entre gestores e colaboradores. Por exemplo, se os diretores da empresa decidem investir em novos recursos tecnológicos para otimizar os processos internos, é necessário garantir que os colaboradores estão devidamente capacitados para utilizá-los. Por outras palavras, é preciso consolidar um mindset organizacional amigável, que inclua as inovações digitais.

Não se deve olhar a tecnologia como um obstáculo, mas sim como uma aliada. A partir do uso de soluções inteligentes, temos de ser capazes de, rapidamente, adaptar os timings à realidade digital contemporânea.

Adaptar o mindset organizacional às constantes inovações tecnológicas é absolutamente crucial para manter a competitividade dos negócios. Com uma comunicação interna eficiente, apoiada por ações de formação de qualidade, é possível alcançar um patamar de alta produtividade, com resultados cada vez mais satisfatórios.

Para apoiar esta transformação digital, o Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) de Portugal prevê perto de 14 mil milhões de euros em subvenções.

Destes, quase 20% dizem respeito à dimensão Transição Digital, que prevê cinco domínios:

i) Escola Digital (559M€),

ii) Empresas 4.0 (650M€),

iii) Qualidade e Sustentabilidade das Finanças Públicas (406M€),

iv) Justiça Económica e Ambiente de Negócios (267M€), e

v) Administração Pública – Digitalização, Interoperabilidade e Cibersegurança (812M€).

As reformas e os investimentos do domínio Empresas 4.0 visam reforçar a digitalização das empresas de modo a recuperar o seu atraso face ao processo de transição digital em curso. A concretização deste objetivo global engloba:

a) Reforçar as competências digitais dos trabalhadores do setor empresarial;

b) Modernizar o modelo de negócio das empresas bem como os seus processos de produção, incluindo a desmaterialização dos fluxos de trabalho;

c) Criar novos canais digitais de comercialização de produtos e serviços;

d) Incorporar tecnologias disruptivas nas propostas de valor das empresas;

e) Estimular o empreendedorismo de base digital.

Os investimentos selecionados irão contribuir para o reforço da capacidade de alteração estrutural, ao nível da transição digital do tecido empresarial que deverá privilegiar sempre, que pertinente, a articulação com as instituições de ensino superior.

Esta reforma assenta na revisão e atualização do Plano de Ação para a Transição Digital, focado na capacitação e inclusão digital das pessoas por meio de formação em competências digitais, na transformação digital do setor empresarial e na digitalização do Estado.

Trata-se da oportunidade para aumentar a escala e alargar o âmbito da sua atuação, acelerando a agenda de digitalização da economia e da sociedade, ao mesmo tempo que se pretende combater o desemprego e, simultaneamente, estimular o aumento do emprego qualificado. O Plano de Ação para a Transição Digital apresenta um modelo de acompanhamento, com medidas concretas, e um conjunto vasto de indicadores de monitorização.

O investimento na Transição Digital das Empresas, cuja coordenação também está a cargo do IAPMEI, I.P. em estreita articulação com diversas entidades publicas e associativas, contribuirá para a transformação dos modelos de negócio das PME portuguesas e para a sua digitalização, visando uma maior competitividade e resiliência.

Os quatro programas que convergem para este objetivo são:

a) Rede Nacional de Test Beds;

b) Comércio Digital;

c) Apoio a Modelos de Negócio para a Transição Digital (Coaching 4.0);

d) Empreendedorismo.

Salienta-se, ainda, a Catalisação da Transição Digital das Empresas, para a qual se prevê um apoio de 100 Milhões de Euros no PRR. Este investimento, também a coordenar pelo IAPMEI, I.P. em articulação com outras entidades, é concretizado através de projetos públicos de catalisação tecnológica, que visam reduzir a utilização de papel ( pelo uso da fatura eletrónica), criar um ambiente de negócios digital mais seguro e confiável (através de um conjunto de certificações) e reduzir os custos de contexto.

Encontra-se estruturado através dos 3 programas seguintes:

a) Digital Innovation Hubs;

b) Desmaterialização da Faturação – iniciativa que visa automatizar o processo de aposição de assinatura eletrónica qualificada para a emissão de faturas, através do Serviço de Assinatura de Faturas Eletrónicas (SAFE) da AMA, bem como massificar a utilização de faturação eletrónica nas transações B2B e B2C, disponibilizando uma solução com recurso à Morada Única Digital que possibilitará o envio das faturas, por email, para o contribuinte (cidadão ou empresa);

c) Selos de Certificações de Cibersegurança, Privacidade, Usabilidade e Sustentabilidade – investimento em quatro novas plataformas de certificação nestas áreas.

Entre outros objetivos, prevê-se atingir a meta de envio de 1.000 milhão de faturas eletrónicas e atingir a meta de 15.000 certificações no computo global das 4 plataformas.

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