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Jornal Online

Ano 2018
Mês Janeiro/Fevereiro
Sumário
 A normalização contabilística e o relato financeiro dos partidos políticos

 A matéria colectável consolidada do imposto sobre as sociedades

 RGPD – algumas notas

 Curso de preparação para o exame de CC começa em Maio

 Director: Manuel Benavente Rodrigues

 Coordenação: Isabel Maria Cipriano

 Colaboração: Alexandra Varela, Paulo Nogueira Filho

 Mensário Técnico, fundado por Martim Noel Monteiro

 Propriedade e Edição: Associação Portuguesa de Técnicos de Contabilidade – APOTEC (Instituição de Utilidade Pública)

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Editorial
Manuel Benavente Rodrigues
Director do Jornal de Contabilidade


Contabilistas  Certificados e Ordem dos Contabilistas Certificados

Foram realizadas as eleições da Ordem dos Contabilistas Certificados, para o período 2018-2021.Venceu a Lista A liderada por Paula Franco, após a segunda volta disputada com a Lista D, dirigida por José Araújo, com a percentagem de 52.5% contra 47.5% nas eleições para Bastonário, tendo a Lista D sido apoiada pelos candidatos Filomena Martins e Lopes Pereira, respectivamente das Listas B e C.  
Este acontecimento faz portanto já parte dos arquivos, e da nossa história de contabilistas, mas deixando a indelével pegada, de que nada será no futuro como aconteceu durante cerca de vinte anos de passado. 
Concluídas as eleições, e como interessados nos bons propósitos da actividade resta-nos a todos nós, adversários ou adeptos de ontem, fazer votos sinceros para que a Bastonária Paula Franco mais a sua equipa, consigam levar a bom porto, o projecto complexo que uma Ordem em qualquer regime democrático, sempre define: defender os profissionais que regula, numa óptica de serviço público.
Porém, a nova Bastonária Paula Franco, ainda em estado de graça pela sua recentíssima eleição, vai ter um difícil mandato, há que reconhecê-lo, pois a Ordem dos Contabilistas Certificados, é um rico castelo cheio de fendas nas ameias, isolado no autismo da sua actuação passada e projectado num deserto de reflexões sobre a nossa vida futura. 
Por um lado, a Bastonária agora eleita, apresenta-se com um programa de acção bastante abrangente que coloca na sua esfera de influência, os temas mais discutidos da vida dos Contabilistas Certificados; por outro lado, apresentando-se como herdeira da continuidade do projecto passado, vai enfrentar questões que nunca sendo fáceis de resolver, são impossíveis de ultrapassar, sem mudanças não só nos objectivos de longo prazo como também já nos percursos de curto prazo. Vejamos se será capaz de os assumir. 
Temos então a nossa estrela polar consubstanciada no Civismo político, na Academia, na Ordem, nos Contabilistas e na Autoridade Tributária. Pensamos que o Civismo político, vai ser assimilado por todos, com respeito, educação e tolerância pelas ideias alheias. Quanto à Academia, há programas e currículos a discutir, urgentemente, entre quem está balizado nos conceitos e quem está nos objectivos. A Ordem terá de ser severamente repensada, pois nas actuais condições, dificilmente se pode definir assim. No que respeita aos Contabilistas, basta lembrar que é neles, como universo associativo, que repousa o fim da história. Por fim, a Autoridade Tributária a jusante de tudo e a montante do trabalho fiscal do Contabilista, desempenha uma acção catalisadora fundamental entre a Escola, a Ordem, os Contabilistas e as Empresas. 
Assim e aterrando nas questões que a todos preocupam, o actual Conselho Directivo vai administrar o gigantesco projecto tangível do passado, o qual numa Ordem reguladora de profissionais, numa óptica de serviço público, é uma excrescência que, obviamente com o devido bom senso, necessita de resgate. Será o caso da gestão do universo associativo nitidamente desfasado do objecto a que é destinado, e cuja solução passa por representar um desinvestimento na grandeza artificial da Ordem. É o caso de perceber que os Contabilistas Certificados, hoje, são muito menos contabilistas e muito mais fiscalistas e que é necessário perfilar um horizonte e uma outra estruturação para esta realidade: novos currículos, um verdadeiro controlo de qualidade, como lidar com a evolução do digital face à inevitável “cilindragem” da profissão, com partida para novas realidades e outras valências. Será ainda o caso de assumir rapidamente, uma posição de inteira parceria com a Administração Fiscal, coisa bem difícil, fazendo perceber ao Estado que o mais importante de tudo são os contribuintes; e depois de tudo, o Estado, talvez esteja apto a reconhecer-nos a todos como cidadãos.  
Resumindo, a Ordem, tem a difícil missão de procurar regressar ao futuro, do qual anda à procura desde os idos da Comissão Instaladora. E se o caminho se faz caminhando, um bom caminho, será pensar em limitar a sua actividade à regulação dos respectivos membros. 
Aguardemos pois.

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