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Título

Ano
2017

Mês
Setembro/Outubro

Ficha Técnica
Sumário

 A Palavra e o Valor

 Impostos Diferidos - Uma análise exploratória

 Cash-flow e Autofinanciamento

 Curso de preparação para o Exame na OCC








Editorial
Manuel Benavente Rodrigues
Director do jornal de Contabilidade


A PALAVRA E O VALOR

Nós, contabilistas, somos profissionais na utilização de um determinado conceito de “valor”; conceito de “valor” ligado a aplicações da matemática ou da aritmética, qualificando algarismos, na área financeira e contabilística. 

Quanto à “palavra” tem o seu vasto campo de aplicação, grosso modo, na Gramática, na Retórica, na Filosofia e os seres humanos não a podem deixar ficar para trás.

Estes conceitos repousam na Antiguidade Clássica, da qual herdámos até há poucos séculos atrás, a divisão das sete artes liberais em dois conjuntos: um inicial e composto por gramática, lógica e retórica e outro mais adiantado, composto por aritmética, geometria, astronomia e música. Quer dizer, o que nós hoje chamaríamos “letras”, numa divisão digamos, primária, o trivium; e as “ciências” noutra, mais adiantada, o quadrivium.

Claro que os séculos passaram, os conhecimentos também e hoje este tipo de classificação está claramente invalidado, pois disciplinas diferentes não se hierarquizam de forma tão redutora. 

O que hoje nós sabemos de fonte certa, é que tanto o “valor” como a “palavra” constituem conceitos quase que absolutos, inestimáveis, dos saberes que partilhamos. E que um e outro, são ambos imprescindíveis para as sociedades, complementando-se. E tanto assim é, que perguntamos, qual a sociedade, qual a pessoa, que se pode dar ao luxo de alienar o seu uso? 

E assim, “valor” e “palavra” não sendo de forma alguma negligenciáveis, são porém criações imperfeitas, aptas elas próprias a ser invalidadas, mas cujos princípios, nem por isso, se devem questionar. Por exemplo, o “valor” é utilizado pelas ciências puras e aplicadas, para obtenção do que hoje contextualizamos como exacto e que no futuro estará errado e a “palavra” acompanha-nos, conforta-nos, tanto nas equações exactas, como nas inexactas. 

Não nos devemos esconder quer jogando com a “palavra”, ou com o “valor”, ou com a falta de um ou outro. Há ocasiões para cada um ter o respectivo protagonismo, e as nossas competências pela vida fora são feitas de opções que a não ser exercidas, comprometem a nossa ética, a cada momento. 

E quando se impõe a aplicação da “palavra” não devemos usar o “valor”, assim como é despropositado substituir o “valor” pela “palavra”.  

Chegamos assim, onde devemos chegar: nós, portugueses, não somos só números, como muito bem foi lembrado pela oposição, em tempos do governo anterior. O governo actual entrou infelizmente na liça, com os fogos de Junho e Outubro, porém, com o terrível agravo, do chocante número de mais de cem portugueses mortos. E mudo, frio, sem qualquer apelo à palavra, além de nos acenar com a resiliência; e se pareceu estar entretanto em mudanças, foi apenas graças à acção das palavras do Presidente da República. 

Ora tanto a palavra, como o valor têm de ser assumidos de forma unívoca. Quer dizer, não é nada bonito mudar a ética dos conceitos, ao sabor de quem é governo e quem é oposição.


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